Planilha de gastos mensais: como montar no Excel e controlar o orçamento da casa
Como montar uma planilha de gastos mensais no Excel ou Google Sheets: renda líquida, gastos fixos e variáveis, compras parceladas no cartão, provisão para IPVA e IPTU, reserva de emergência e resumo do mês com SOMASES.
Resposta rápida: uma planilha de gastos mensais que funciona tem três abas: Planejamento (renda líquida e quanto você pretende gastar em cada categoria), Lançamentos (cada gasto com data, categoria, valor e forma de pagamento) e Resumo, onde a função SOMASES soma automaticamente o que saiu em cada categoria no mês e mostra a diferença para o planejado. No Brasil, vale acrescentar uma quarta aba para as compras parceladas, que comprometem os meses seguintes.
Aplicativos fazem algo parecido, mas a planilha permite categorias do seu jeito, sem mensalidade, e deixa os dados com você. Este guia monta o arquivo passo a passo, com um exemplo em reais, as fórmulas prontas e uma rotina de dez minutos por mês.
As abas da planilha
| Aba | O que vai nela |
|---|---|
| Planejamento | Uma linha por categoria, uma coluna por mês, com o valor previsto |
| Lançamentos | Data, descrição, categoria, valor, forma de pagamento (Pix, débito, cartão, dinheiro) |
| Parcelas | Compras parceladas no cartão e quanto comprometem de cada mês |
| Resumo | Previsto, realizado e diferença por categoria; sobra do mês; percentual poupado |
Separar o previsto do realizado é o que faz a planilha durar. O planejamento só muda quando você decide; os lançamentos crescem todo dia.
Passo 1: comece pela renda líquida
Use o valor que efetivamente cai na conta: salário líquido (depois de INSS, Imposto de Renda e outros descontos), renda extra, pensão, aluguel recebido. Se a renda varia, planeje com um mês fraco e trate o que vier acima como extra. O 13º salário e as férias não devem entrar no orçamento mensal: reserve-os para gastos do ano, como os impostos do começo do ano.
Passo 2: defina as categorias
- Gastos fixos: aluguel ou financiamento, condomínio, luz, água, gás, internet e celular, plano de saúde, escola, assinaturas.
- Gastos variáveis: supermercado, feira, combustível ou transporte, farmácia, lazer, restaurantes e delivery, roupas, presentes.
- Gastos anuais: IPVA, IPTU, licenciamento, seguro do carro, material escolar, viagens — com provisão mensal.
- Metas: reserva de emergência, investimentos, quitação de dívidas, objetivos como a entrada de um imóvel.
Coloque a lista numa aba de configuração e use Dados → Validação de Dados → Lista para que a coluna Categoria dos lançamentos só aceite esses nomes. Um erro de digitação faz o gasto sumir do resumo.
Passo 3: monte o planejamento
Exemplo ilustrativo de uma família com renda líquida de R$ 6.500:
| Categoria | Tipo | Previsto |
|---|---|---|
| Aluguel | Fixo | R$ 1.800 |
| Condomínio | Fixo | R$ 450 |
| Luz | Fixo | R$ 180 |
| Água | Fixo | R$ 90 |
| Internet e celular | Fixo | R$ 150 |
| Plano de saúde | Fixo | R$ 520 |
| Supermercado e feira | Variável | R$ 1.100 |
| Combustível e transporte | Variável | R$ 400 |
| Lazer, restaurantes e delivery | Variável | R$ 350 |
| Parcelas do cartão | Compromisso | R$ 300 |
| Provisão IPVA, IPTU e anuais | Anual | R$ 250 |
| Reserva de emergência | Meta | R$ 500 |
| Investimentos e objetivos | Meta | R$ 310 |
| Imprevistos | Variável | R$ 100 |
| Total | R$ 6.500 |
Cada real tem destino. O percentual poupado no mês é (500 + 310) ÷ 6.500 = 12,5 %. Alguns usam como referência a regra 50/30/20 (cerca de 50 % para necessidades, 30 % para desejos e 20 % para poupar), mas ela é só um ponto de partida: em muitas cidades, moradia e saúde sozinhas passam de metade da renda.
Passo 4: controle as compras parceladas
Compras em várias parcelas sem juros são comuns no Brasil — e são a principal razão de o orçamento “não fechar” meses depois. Na aba Parcelas, registre cada compra: A Descrição, B Valor da parcela, C Número de parcelas, D Mês da primeira fatura (dia 1 do mês). A partir da coluna F, coloque os meses do ano na linha 1 (também como dia 1) e use em F2:
=SE(E(F$1>=$D2;F$1<=DATAM($D2;$C2-1));$B2;0)
Copie para a direita e para baixo. A soma de cada coluna mostra quanto das faturas futuras já está comprometido. Antes de parcelar algo novo, olhe essa linha: se os próximos meses já estão no limite da categoria “Parcelas do cartão”, a nova compra vai apertar o orçamento.
Passo 5: as fórmulas do resumo
Na aba Lançamentos: A Data, B Descrição, C Categoria, D Valor, E Forma de pagamento. Na aba Resumo, coloque o dia 1 do mês analisado em B1 e as categorias na coluna A a partir da linha 4. Fórmulas (Excel em português usa ponto e vírgula):
- Realizado (C):
=SOMASES(Lançamentos!$D:$D;Lançamentos!$C:$C;$A4;Lançamentos!$A:$A;">="&$B$1;Lançamentos!$A:$A;"<"&DATAM($B$1;1)) - Previsto (B): link para a coluna do mês na aba Planejamento, ou
=PROCX($A4;Planejamento!$A:$A;Planejamento!M:M)ajustando a coluna. - Diferença (D):
=B4-C4— valor negativo indica que estourou. - % usado (E):
=SEERRO(C4/B4;0)
Uma formatação condicional que pinta a coluna E de amarelo acima de 90 % e de vermelho acima de 100 % mostra na hora onde o mês está apertando. Trocando a data em B1, o resumo recalcula para qualquer mês.
Dica sobre o cartão: lance cada compra na data em que foi feita e na categoria certa (supermercado, farmácia…). Assim você sabe com o que gastou. Para o fluxo de caixa, confira à parte o valor total da fatura, que é o que efetivamente sai da conta.
Provisão para IPVA, IPTU e outros gastos do ano
Janeiro costuma ser o mês mais pesado: IPVA, IPTU, matrícula e material escolar chegam juntos. Some todos os gastos anuais e divida por 12. No exemplo, IPVA de R$ 1.800, IPTU de R$ 900 e material escolar de R$ 300 somam R$ 3.000 por ano, ou R$ 250 por mês. Separe esse valor todo mês numa conta ou aplicação com resgate fácil; quando o boleto chegar, o dinheiro já estará lá — e você ainda pode avaliar se compensa pagar à vista com desconto.
Rotina de fechamento do mês
- Confira os lançamentos com o extrato e a fatura do cartão. Muitos bancos exportam o extrato em CSV ou Excel, que pode ser colado na aba Lançamentos.
- Olhe as categorias em vermelho e anote em uma linha o motivo.
- Decida o destino da sobra: reserva, investimento ou amortização de dívida.
- Ajuste o planejamento do mês seguinte, sem reescrever o que passou.
- A cada trimestre, revise as categorias e as parcelas futuras.
Erros comuns
- Planejar com o salário bruto.
- Ignorar parcelas futuras ao fazer novas compras no cartão.
- Esquecer os gastos anuais até o boleto chegar.
- Criar categorias demais, tornando os lançamentos cansativos.
- Desistir depois de um mês ruim: os primeiros meses servem para calibrar os valores.
Perguntas frequentes
A planilha funciona no Google Sheets?
Sim. A estrutura é a mesma, e o Google Sheets facilita o controle a dois pelo celular. Os nomes das funções dependem do idioma configurado na planilha.
Quanto devo ter de reserva de emergência?
Uma referência comum é o equivalente a alguns meses de gastos essenciais, mas o valor adequado depende da estabilidade da sua renda. O importante é começar, mesmo com pouco, e manter a reserva em aplicação de fácil resgate.
Como registrar gastos em dinheiro?
Lance na hora ou registre cada saque como gasto numa categoria “Dinheiro”, que funciona como limite para essas despesas.
Como fazer o controle de gastos em casal?
Acrescente uma coluna “Quem” nos lançamentos e combinem o que é despesa da casa e o que é pessoal. O resumo pode ser filtrado por pessoa.
Vale a pena antecipar parcelas ou pagar impostos à vista?
Depende do desconto oferecido e do que você deixaria de ganhar com o dinheiro aplicado. A planilha ajuda a ver se há caixa para isso sem comprometer a reserva de emergência.
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