Planilha de orçamento de obra: como montar no Excel com quantitativos, composições, BDI e cronograma
Como fazer uma planilha de orçamento de obra no Excel: levantamento de quantitativos, composições de custo unitário, referência SINAPI, perdas, BDI, curva ABC, cronograma físico-financeiro e acompanhamento orçado x realizado, com exemplo de reforma.
Resposta rápida: uma planilha de orçamento de obra organiza a obra em etapas e serviços, cada um com unidade, quantidade (do levantamento de quantitativos) e custo unitário (de uma composição de materiais, mão de obra e equipamentos). A soma dá o custo direto; sobre ele se aplica o BDI (benefícios e despesas indiretas) para chegar ao preço de venda. A mesma planilha gera a curva ABC dos itens mais caros e o cronograma físico-financeiro, e depois serve para comparar orçado x realizado.
O passo a passo serve para reformas e obras de pequeno e médio porte. Os preços do exemplo são ilustrativos: use cotações locais atualizadas ou uma referência oficial como o SINAPI.
Estrutura da planilha
| Aba | Conteúdo |
|---|---|
| Dados | Cliente, endereço, área, data-base dos preços, percentual de BDI, encargos sociais |
| Insumos | Materiais, mão de obra e equipamentos com unidade e preço |
| Composições | Quanto de cada insumo é necessário por unidade de serviço |
| Orçamento | Serviços por etapa com quantidade, custo unitário e total |
| Cronograma | Distribuição do custo por semana ou mês |
| Acompanhamento | Orçado x realizado por etapa |
Passo 1: Levantamento de quantitativos
Antes de qualquer preço, meça. Use o projeto ou meça no local e anote a memória de cálculo ao lado de cada quantidade:
- Pisos e forros: área em m² (comprimento × largura de cada ambiente).
- Paredes: perímetro × pé-direito, descontando vãos grandes de portas e janelas conforme o critério adotado.
- Rodapés e soleiras: metro linear.
- Concreto: m³; aço: kg; pontos elétricos e hidráulicos: unidade.
Uma coluna “Memória” com a conta (por exemplo, 4,00 × 5,00 + 3,00 × 6,67) facilita a conferência por outra pessoa.
Passo 2: Insumos e composições
Na aba Insumos, cada linha tem código, descrição, unidade e preço. Na aba Composições, cada serviço lista os insumos e o coeficiente (quantidade de insumo por unidade de serviço). Exemplo de composição para “assentamento de porcelanato, por m²”: argamassa colante (kg), rejunte (kg), horas de pedreiro, horas de servente.
- Custo de cada linha da composição:
=Coeficiente*PROCX(Código;Insumos[Código];Insumos[Preço]) - Custo unitário do serviço:
=SOMASES(Composicoes[Custo];Composicoes[Serviço];"Assentamento porcelanato")
Na mão de obra, considere os encargos sociais sobre o salário-hora quando a equipe é registrada. O SINAPI, mantido pela Caixa e pelo IBGE, publica preços de insumos e composições por estado e é a referência obrigatória em muitas obras públicas; para obras privadas, é um bom parâmetro para conferir suas próprias composições.
Passo 3: A aba Orçamento
| Coluna | Conteúdo | Fórmula |
|---|---|---|
| A | Item (1, 1.1, 1.2…) | — |
| B | Serviço | — |
| C | Unidade | — |
| D | Quantidade | Do levantamento |
| E | Perda % | Para materiais com corte ou quebra |
| F | Custo unitário | Da composição ou cotação |
| G | Custo total | =ARRED(D2*(1+E2)*F2;2) |
| H | % do total | =G2/SOMA($G$2:$G$50) |
Exemplo: reforma de piso de 40 m²
| Serviço | Un. | Qtd. | Perda | Unit. (R$) | Total (R$) |
|---|---|---|---|---|---|
| Remoção de piso cerâmico existente | m² | 40 | — | 18,00 | 720,00 |
| Regularização de contrapiso | m² | 40 | — | 45,00 | 1.800,00 |
| Porcelanato (material) | m² | 40 | 10% | 70,00 | 3.080,00 |
| Assentamento de porcelanato (mão de obra e argamassa) | m² | 40 | — | 55,00 | 2.200,00 |
| Rodapé instalado | m | 26 | — | 22,00 | 572,00 |
| Caçamba para entulho | un | 1 | — | 450,00 | 450,00 |
| Custo direto | 8.822,00 | ||||
| BDI (25%) | 2.205,50 | ||||
| Preço de venda | 11.027,50 | ||||
Conferência: 40 × 1,10 × 70 = 3.080; soma do custo direto = 720 + 1.800 + 3.080 + 2.200 + 572 + 450 = 8.822; BDI 8.822 × 25% = 2.205,50; preço 11.027,50.
Passo 4: Entendendo o BDI
O BDI cobre o que não aparece nos serviços: administração central, seguros e garantias, riscos, despesas financeiras, tributos sobre o faturamento e o lucro. Uma fórmula bastante usada em orçamentos de obras públicas, conforme a jurisprudência do TCU, é:
BDI = ((1 + AC + S + R + G) × (1 + DF) × (1 + L) / (1 − I)) − 1
em que AC é a administração central, S + G seguros e garantias, R riscos, DF despesas financeiras, L lucro e I os tributos sobre o preço de venda. Os tributos dependem do regime da sua empresa; confirme os percentuais com o seu contador. Em obras privadas pequenas, muitas empresas usam um percentual único revisado periodicamente, mas é importante saber o que ele contém: um BDI baixo demais significa trabalhar sem lucro.
No Excel: =((1+AC+S+R+G)*(1+DF)*(1+L)/(1-I))-1, com cada componente em uma célula da aba Dados.
Passo 5: Curva ABC
Ordene os serviços pelo custo total e calcule o percentual acumulado:
- % acumulado:
=SOMA($H$2:H2)após ordenar de forma decrescente. - Classe:
=SE(I2<=80%;"A";SE(I2<=95%;"B";"C"))
No exemplo, porcelanato (34,9%), assentamento (24,9%) e contrapiso (20,4%) somam 80,3% do custo direto. É nesses itens que uma cotação melhor ou uma revisão de quantidade fazem diferença; negociar a caçamba muda pouco.
Passo 6: Cronograma físico-financeiro
Na aba Cronograma, liste as etapas nas linhas e as semanas nas colunas. Em cada célula, informe o percentual da etapa executado naquela semana; o valor é =Total_da_etapa*Percentual. A soma de cada coluna mostra quanto dinheiro a obra consome por semana, e a soma acumulada vira a curva de desembolso. Com isso você combina com o cliente um cronograma de pagamentos que acompanhe a execução e evita financiar a obra com o próprio caixa.
Os pagamentos a fornecedores e equipes podem ser controlados na planilha de contas a pagar, com vencimentos alinhados ao cronograma.
Passo 7: Orçado x realizado
Durante a obra, lance os gastos reais por etapa e compare:
- Desvio:
=Realizado-Orçado - Desvio %:
=SEERRO(Realizado/Orçado-1;"") - Custo previsto final: realizado até agora + saldo a executar orçado.
Desvios recorrentes no mesmo tipo de serviço indicam que a composição ou a produtividade usada no orçamento precisa ser revista para as próximas obras.
Do orçamento ao documento para o cliente
A planilha de orçamento de obra é a ferramenta interna, com custos e margens. Ao cliente você envia um documento mais simples, com serviços, preços e condições. O modelo de orçamento em Excel mostra como apresentar validade, formas de pagamento e aceite. Para formar preços de produtos e serviços fora da obra, veja também a planilha de precificação.
Erros comuns
- Esquecer perdas de corte e quebra em revestimentos e materiais a granel.
- Usar preço de tabela antigo: registre a data-base dos preços e atualize antes de cada proposta.
- Somar BDI em cima de itens que já incluem margem (por exemplo, empreitada subcontratada com lucro do subempreiteiro, sem critério).
- Não prever itens de canteiro: proteção, limpeza, caçamba, transporte, licenças.
- Não guardar a memória de cálculo das quantidades.
Perguntas frequentes
Preciso usar o SINAPI em obra particular?
Não é obrigatório em obras privadas, mas é uma boa referência para conferir preços e composições. Em obras públicas, o uso de referências oficiais costuma ser exigido; verifique as regras do edital.
Qual BDI usar?
Depende da estrutura da empresa, do regime tributário, do porte e do risco da obra. Calcule o seu a partir dos componentes em vez de copiar um percentual pronto.
Funciona no Google Planilhas?
Sim. PROCX, SOMASES, ARRED e SEERRO estão disponíveis, e o compartilhamento facilita a atualização pelo mestre de obras.
Veja mais em Orçamento de obras.